SIFU ANDERSON ROBERT

A entrada do sifu Anderson Robert da Silva nas artes marciais foi impulsionada por um detalhe peculiar: o constante Bullying que sofria na escola. Aos 12 anos, a mãe o matriculou em uma academia de Karate com a finalidade que aprendesse a se defender, já que era muito franzino. Praticou durante três anos. Quando estava na faixa roxa, os pais se separaram e ele mudou-se para um bairro mais distante. Lá, auxiliou um sensei nos treinos e quando estava lecionando, aproveitou para fazer piadas sobre o Kung Fu.

Um rapaz que acompanhava tudo, avisou-lhe educadamente que aquilo era desrespeitoso. Em vez de pedir desculpas e reconhecer o erro, sifu Anderson desafiou o praticante para uma luta, na qual saiu perdedor. A derrota, por outro lado, abriu seus olhos, e eles quis aprender aquela modalidade tão eficiente, centrada no equilíbrio emocional. Assim, aos 16 anos, entrou na academia do mestre Dani Hu, onde treinou por três anos. A partir de então, dedicou-se ao estilo Garra de Águia, competindo em vários eventos e sagrando-se campeão de Paulistas, Brasileiros e de um Mundialito no Rio de Janeiro.

Em 2000, parou de lutar e retornou a Mogi das Cruzes, seu local de nascimento. Sob a supervisão do mestre Edilson Moraes, inaugurou sua primeira academia, onde destinou-se a ensinar os alunos a não se comportarem como seres superiores. Pelo contrário, o que deveria imperar era a humildade. Em meados de 2012, viajou para o Rio Grande do Sul, onde conheceu uma linhagem mais antiga do Garra de Águia, o Ying Jow Pai (grão mestre Leung Shum), praticada há poucos anos no Sul do Brasil, ensinado pelo sifu Christian Iranzo.  Sob a supervisão do shifu Thomas Torres, de Puerto Rico, discípulo direto do grão-mestre Leung Shum, Anderson Robert tornou-se o introdutor do Ying Jow Pai no estado de São Paulo e é um estudante fiel dos princípios essenciais do Garra de Águia, como Fing law, Jor da Cum Na, Fan Gum Chew Guat, Dim Yut Bye Hei, Cow Wai Saw Fung, Sim Jim Tong Na, Diu Cow Fing Law, Noi Sup Chung Dit, Nim Yih Moot Mak, Sau Chi Sau Mo Chu Jau e o Lok Hop Yin Jing, e o estudo das técnicas 108 Chinna, Hun Kuen, Lin Kuen em sua essência, além da forma (Taolu) Fook Fu Kuen, que visa o trabalho do chi do praticante.

Para o sifu Anderson Robert da Silva, a escola visa o treinamento mais tradicional do estilo Garra de Águia, isto é, a forma da Associação Chin Woo (introduzida no sistema pelo mestre Chan Tzi Chen, quando lecionou na associação). “As formas são ensinadas logo nas faixas introdutórias, pois servem apenas como um preparação física para o atleta, sendo que ao término, ele é direcionado aos 10 fundamentos de treino do sistema: mãos, sentidos, cintura, pernas, espírito, energia, força, controle, respiração e concentração. Posteriormente, desenvolvemos o Gin Sau, Yahp Sal e o Sau Cow Sal, onde ele aprende técnicas de controle do seu oponente à curta distância, que transformam nosso sistema em um dos mais completos. Tudo isso tem como diretriz o Wu Te: determinação, tolerância, perseverança, paciência, coragem, humildade, respeito, justiça, verdade e lealdade.”, explica. Ao longo dos séculos, a base do Kung Fu Garra de Águia tradicional foi o aprimoramento físico, bem como o estudo incessante, como priorizou o mestre Leung Shum. Antes de mais nada, o Kung fu é um sistema marcial que visa à preservação do indivíduo e a sua sobrevivência. A visão marcial tem sido substituída pela competitiva, e as medalhas e os troféus são muito simplórias, distanciando o praticante do verdadeiro espírito filosófico.

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MESTRE CÁSSIO XAVIER (in memoriam)

Nascido em 17 de fevereiro de 1967, Cássio Xavier da Silva iniciou nas artes marciais ainda criança, no bairro da Liberdade, em São Paulo. O mestre chinês Kiu Chiu Lee foi o responsável por lhe transmitir a maioria dos conhecimentos de Kung Fu. Kiu ensinava Kung Fu seguindo os mesmos princípios da sua linhagem, a família Long, do estilo Dragão, fundada pelo monge Tai Yuk Sin Si. Tais princípios se baseavam nos moldes patriarcais e de portas fechadas (ensino restrito). Nessa época, a arte no Brasil não usava o sistema de graduação por faixas, pois na China, ela servia só para segurar a calça do Ifú (vestimenta típica chinesa).

No início dos anos 1980, Cássio Xavier se formou no estilo Dragão Shaolin, despedindo-se de seu mestre. Com o aval dele, seguiu sua própria jornada. Anos mais tarde, continuou aprimorando seu Kung Fu com o acréscimo de novas técnicas transmitidas por outros mestres. Ainda neste período, conheceu Li Wing Kay, com quem teve aulas de estilo Garra de Águia. Aprendeu técnicas e formas do estilo do Norte (Punho Longo). Em 1986, começou a dar aulas de Kung Fu na zona leste de São Paulo, no bairro Ermelino Matarazzo. Na década de 1990, conheceu o mestre Gilberto Cabral da Costa (Garra de Dragão e Wushu). Os dois estabeleceram uma forte amizade.

Logo, mestre Cabral lhe ensinou o estilo Garra de Dragão. Anos mais tarde, Cássio Xavier foi reconhecido como mestre por este educador, além de Li Wing Kay (Garra de Águia), Confederação Brasileira de Kung Fu Shaolin (CBKFS) e por diversas entidades nacionais e internacionais. Em 1995, fez a primeira viagem internacional como técnico da seleção brasileira de artes marciais, ajudando o nosso país a figurar entre os três primeiros colocados no Sul-Americano. No ano seguinte, ao lado de José Roberto Lira (Taekwondo – Diadema/ SP), fundou a União Internacional de Artes Marciais (UNIAM), ajudando a organizar diversos torneios internacionais de artes marciais pelo Brasil e América Latina.

Ainda neste período, seu trabalho chegou ao ápice da credibilidade. Conquistou o reconhecimento internacional até do monge latino-americano Shi Yan Long, representante do Templo Shaolin da China em toda a América. Em 2003, fundou a Organização Internacional de Artes Marciais (OIAM), onde ocupou o cargo de presidente até maio de 2014. A partir de 2007, iniciou uma amizade com o mestre Li Kuen, firmando grandes parcerias. Em junho de 2011, ele e outras autoridades marciais brasileiras se reuniram com parlamentares em Brasília, criando assim, a Frente Parlamentar Mista em Prol da Artes Marciais, com o apoio dos deputados federais Roberto de Lucena e Acelino de Freitas (Popó). Em 2013, filiou-se à Chin Woo e implantou o curso de Tai Chi Chuan do estilo Chen (mestre Li Kuen). Ainda neste ano, mesmo com a saúde debilitada, ministrou um evento de encerramento na academia. Em março de 2014, realizou seu último evento como presidente da OIAM, que foi o Sul-Americano de Artes Marciais em São Paulo.

Três meses depois, em 11 de junho de 2014, faleceu, deixando muitos discípulos e fãs. O grão-mestre Cássio Xavier era advogado, pedagogo, músico, professor, presidente de entidades, diretor da Confederação Brasileira de Kung Fu Shaolin (1995 a 1999), técnico, discípulo do GM Kiu, representante do estilo Dragão Shaolin Tradicional de Kung Fu na América Latina, especialista em Kung Fu, Sanda, perito em armas chinesas (norte e sul), representante do Tai Chi Chuan Chen (Chin Woo Brasil) na zona leste de São Paulo, especialista em defesa pessoal e árbitro internacional.
Esta lenda marcial deixou um grande legado e o shifu Alcides Uchôa Lina à frente da O.I.A.M.E.C. Além deste discípulo, o estilo é representado por Rogério Alves, Mario Maielli e Rodrigo Jacinto, que ministram aulas de Dragão Shaolin.

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SHIFU ROGÉRIO OLIVEIRA

Há 25 anos, o shifu Rogério Alves Oliveira é praticante do estilo Long Shin Chuen / Dragão Shaolin Tradicional, sendo mestre, faixa preta 5º thuan (Dùan Wei) e discípulo do grão-mestre Cássio Xavier (linhagem Qiu Xiao Lee). É instrutor do estilo Garra de Águia / Yin Jow Pai (linhagem Leung Shum/Thomas Torres), sob supervisão do Sifu Anderson Robert (representante do Ying Jow Pai no Brasil) e professor de Tai Chi Chuan (estilo Chen).

Teve uma rápida passagem pela escola Chin Woo Brasil, sendo filiado a esta entidade de 2014 a 2016, onde aprendeu algumas técnicas de Hung Kuen Kung Fu e estudou Tai Chi Chen com o mestre Lee Kuen durante dois anos. A primeira aula de Kung Fu aconteceu quando tinha 13 anos, por recomendação médica. Naquele dia, conheceu a pessoa que iria mudar a sua vida, o grão-mestre Cássio Xavier, com quem treinou durante 21 anos. Não à toa, ele deixou um importante legado.

Na época em que Rogério tinha 15 anos, foi nomeado instrutor, e um ano depois, participou do Mundial Aberto de Artes Marciais no Paraguai, onde se sagrou campeão na categoria kyu B intermediário, nas modalidades combate por pontos e defesa pessoal por equipe. Em 2005, alguns alunos graduados decidiram seguir seus próprios caminhos e divulgar o estilo. Na época, somente Rogério Oliveira e o shifu Alcides Uchôa permaneceram ao lado do grão-mestre. Após seis anos, em 2011, ele se tornou professor ao lado do amigo e conquistou o reconhecimento das principais entidades e autoridades marciais. Em março de 2014, o grão-mestre Cássio ficou internado em estado grave.

Ele, então, passou a ajudar na administração da academia provisoriamente ao lado do shifu Alcides Uchôa. Com o falecimento do GM em junho do mesmo ano, os discípulos ficaram encarregados de dirigir a escola até dezembro de 2015, data em que a família decidiu encerrar as atividades. Após o falecimento do saudoso mestre Cássio, o shifu teve uma rápida passagem pela escola Chin Woo Brasil, sendo filiado a esta entidade entre 2014 e 2016. Após o desligamento da Chin Woo Brasil, ele e Alcides procuraram o amigo Anderson Robert, que também era parceiro do mestre Cássio, para aprender o estilo Garra de Águia de Kung Fu. Foram aceitos como alunos de Anderson Robert, devido à recomendação feita pelo mestre Cássio, pouco antes de falecer.

Com o objetivo de preservar a memória de seu saudoso mestre, shifu Rogério Alves fundou o Núcleo Santo André ABC / Instituto D’ali de Arte, Cultura e Esporte, que atende ao público nas dependências da academia Shidokan Brasil. Lá, ministra aulas de Kung Fu, Sanda e Tai Chi Chuan. Em sua estante, guarda diversos troféus nacionais e internacionais. É árbitro pela UIAMA, OIAM/OIAMEC, ASAM e CBKFS, diretor e um dos fundadores da NUMA Fighters Federation, ex-dirigente de Relações Públicas e ex-presidente da OIAMEC, artista plástico e pós-graduado em História da Arte e em Educação, Ciências e Tecnologia.

“Em nossa escola valorizamos não só as habilidades físicas e marciais, mas principalmente o exercício da cidadania e o resgate de valores e os bons costumes. Nossa preocupação nunca foi e nunca será voltada somente para a formação marcial ou as competições. A filosofia vai, além disso, preparar os alunos para a vida, para serem pessoas melhores e de bem”.

 

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